{"id":4,"date":"2013-06-06T13:49:40","date_gmt":"2013-06-06T13:49:40","guid":{"rendered":"https:\/\/radiogrimpa.libertar.org\/?p=4"},"modified":"2013-06-07T04:37:50","modified_gmt":"2013-06-07T04:37:50","slug":"o-que-e-o-espectro-aberto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiogrimpa.libertar.org\/?p=4","title":{"rendered":"O que \u00e9 o Espectro Aberto"},"content":{"rendered":"<p>de http:\/\/radiolivre.org\/node\/3878<\/p>\n<div>\n<p>O que \u00e9 Espectro Aberto*?<\/p>\n<p>&#8220;Espectro Aberto&#8221; se baseia na ideia de que a tecnologia pode reduzir ou mesmo eliminar a necessidade de os governos micro-gerenciarem as comunica\u00e7\u00f5es sem fio. Em diferentes contextos, pode ser interpretado como:<\/p>\n<p>* um ideal de liberdade no uso de radiofrequ\u00eancias;<br \/>\n* uma cr\u00edtica \u00e0 gest\u00e3o tradicional do espectro;<br \/>\n* uma proposta decorrente de tend\u00eancias em design de r\u00e1dio;<\/p>\n<p>Na verdade, Espectro Livre \u00e9 tudo isto, o que levou a diferen\u00e7as de \u00eanfase e de opini\u00e3o entre os seus apoiadores. Um site pode n\u00e3o resolver estas diferen\u00e7as, mas pode posicionar o nosso trabalho, esclarecendo algumas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Por quase um s\u00e9culo, os governos t\u00eam imposto limites ao uso do r\u00e1dio: quem pode transmitir ou receber, em que freq\u00fc\u00eancias e formas de onda, com que pot\u00eancia, em quais localidades, com que finalidades. As licen\u00e7as resumem essas restri\u00e7\u00f5es para usu\u00e1rios ou &#8220;esta\u00e7\u00f5es&#8221; espec\u00edficas. O controle do Estado no uso de r\u00e1dio vai muito al\u00e9m do que \u00e9 aceito em outros meios de comunica\u00e7\u00e3o (fala, texto, fotografia, Internet, etc.). A maioria das pessoas ainda aceita as regras estritas para o r\u00e1dio porque se acredita que s\u00e3o necess\u00e1rias para evitar o caos e interfer\u00eancia.<\/p>\n<p>No entanto, durante os \u00faltimos 20 anos, r\u00e1dio mais inteligentes foram desenvolvidos, o que tem trazido progressos significativos na solu\u00e7\u00e3o de problemas que antes exigiam a interven\u00e7\u00e3o do governo. Telefones sem fio podem mapear automaticamente a banda para selecionar um canal livre. As redes celulares GSM podem ser alocadas dinamicamente quando as freq\u00fc\u00eancias celulares est\u00e3o habilitadas, e definir os n\u00edveis de sinal ao m\u00ednimo necess\u00e1rio para a conex\u00e3o adequada. Receptores inteligentes podem separar os sinais codificados de forma diferente, mesmo quando ocupam o mesmo canal. Os r\u00e1dios inteligentes tendem a combinar a facilidade de uso com melhor qualidade e suporte para novas aplica\u00e7\u00f5es. A combina\u00e7\u00e3o destas caracter\u00edsticas tem estimulado um grande crescimento na demanda por dispositivos sem fio. A dissemina\u00e7\u00e3o desses dispositivos melhora significativamente o desempenho econ\u00f4mico, a produtividade, a seguran\u00e7a pessoal, a conveni\u00eancia e a coes\u00e3o social.<\/p>\n<p>Mas a explos\u00e3o da tecnologia sem fio tamb\u00e9m mostra que os regulamentos destinados a proteger o equipamento de r\u00e1dio \u201ctolo\u201d de interfer\u00eancia cria uma escassez artificial de freq\u00fc\u00eancias. Estudos recentes demonstraram que as atribui\u00e7\u00f5es de frequ\u00eancia est\u00e1tica podem resultar em valores de utiliza\u00e7\u00e3o de banda de apenas 5-10%. Alguns especialistas em r\u00e1dio come\u00e7aram a se preocupar com isso em meados dos anos 90, abrindo caminho para o Open Spectrum surgir como um modelo alternativo de gest\u00e3o do espectro. Eli Noam, Yochai Benkler, Dave Hughes e Kevin Werbach estavam entre os primeiros a argumentar em defesa do Espectro Aberto como uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica s\u00e9ria. Mas o que motivou esse desenvolvimento foi a decis\u00e3o tomada pela Comiss\u00e3o Federal deComunica\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, em 1985, autorizando o uso de novas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o nas bandas para dispositivos &#8220;Industriais, Cient\u00edficos e M\u00e9dicos&#8221; (ISM sigla), sem licen\u00e7a, que deram in\u00edcio a esta evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o nas bandas ISM deve tolerar interfer\u00eancia. Isto contrasta com a gest\u00e3o do espectro tradicional, em que o objetivo \u00e9 evitar interfer\u00eancias. A prote\u00e7\u00e3o contra interfer\u00eancia normalmente \u00e9 alcan\u00e7ada atrav\u00e9s da proibi\u00e7\u00e3o de outros transmissores em usar um canal restrito (para uso somente com licen\u00e7a) dentro de uma &#8220;zona de prote\u00e7\u00e3o&#8221; geogr\u00e1fica. No entanto, o Wi-Fi, uma tecnologia desenvolvida para as bandas ISM, mostrou que um grande n\u00famero de pessoas pode compartilhar a banda, sem haver canais atribu\u00eddos especificamente, se todos utilizam baixo consumo de energia e as formas de onda projetadas para minimizar os efeitos de interfer\u00eancia. Sem zona de prote\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 justificativa t\u00e9cnica para licenciar Wi-Fi. Na verdade, como evidenciado em nossa pesquisa global, a maioria dos pa\u00edses n\u00e3o imp\u00f5e atualmente nenhum licenciamento de tecnologias Wi-Fi.<\/p>\n<p>O Wi-Fi \u00e9 frequentemente citado como prova de conceito do Espectro Aberto, dando validade ao \u201ccommons sem licen\u00e7a\u201d como um paradigma pr\u00e1tico para gest\u00e3o de freq\u00fc\u00eancias. \u00c9 por isso que estamos nos concentrando na remo\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as do Wi-Fi como uma medida para promover a harmoniza\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria para come\u00e7ar o caminho do acesso livre e p\u00fablico ao r\u00e1dio. No entanto, tamb\u00e9m deve ser notado que Espectro Aberto \u00e9 um conceito muito mais amplo do que o Wi-Fi. Al\u00e9m disso, o Wi-Fi funciona bem para a ampla aceita\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o IEEE 802.11b, e porque os processos obrigat\u00f3rios de \u201cAprova\u00e7\u00e3o do modelo\u201d (em que os \u00f3rg\u00e3os reguladores aprovam a venda e o uso irrestrito de equipamentos que estiverem de acordo com determinados par\u00e2metros, particularmente sobre a energia de radia\u00e7\u00e3o e a frequ\u00eancia de utiliza\u00e7\u00e3o). Portanto, sem licen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 o mesmo que n\u00e3o regulamentado. Apoiadores do Espectro Aberto parecem estar divididos por esta distin\u00e7\u00e3o, alguns s\u00e3o a favor da completa desregula\u00e7\u00e3o, enquanto outros (como n\u00f3s) aderem ao modelo de aprova\u00e7\u00e3o do modelo como prefer\u00edvel ao licenciamento.<\/p>\n<p>O acesso n\u00e3o autorizado a bandas licenciadas \u00e9 outro assunto pol\u00eamico. Os sinais de banda UltraLarga (UWB sigla), por exemplo, podem ser usados em pot\u00eancias muito baixas \u2013 de fato, abaixo do que j\u00e1 \u00e9 permitido para emiss\u00f5es UWB involunt\u00e1rias -, tanto \u00e9 assim que, na verdade, a maioria das pessoas acredita que interfer\u00eancias UWB sobre servi\u00e7os licenciados s\u00e3o imposs\u00edveis. Por outro lado, alguns licenciados, que pagaram milh\u00f5es de d\u00f3lares para as suas frequ\u00eancias, n\u00e3o querem que os outros tenham a possibilidade de usar as mesmas freq\u00fc\u00eancias sem pagar. Uma abordagem diferente \u00e9 a do &#8220;r\u00e1dio cognitivo&#8221;. Dispositivos cognitivos reconhecem a presen\u00e7a de outros sinais em seu ambiente, resintonizando rapidamente para canais gratuitos e desocupando o canal quando o licenciado prim\u00e1rio come\u00e7ar a us\u00e1-lo. Na realidade, um acesso din\u00e2mico e oportuno como este poderia favorecer a utiliza\u00e7\u00e3o da banda em n\u00edveis muito elevados. Por\u00e9m, seria o risco de interfer\u00eancia de r\u00e1dios cognitivos realmente m\u00ednimo? Esta \u00e9 uma quest\u00e3o que requer mais testes em uma ampla variedade de condi\u00e7\u00f5es. No entanto, a abertura de uma banda licenciada para compartilhar o uso com equipamentos n\u00e3o licenciados \u00e9 mais f\u00e1cil que limpar uma banda para usu\u00e1rios licenciados. Ent\u00e3o, se voc\u00ea acha que o Espectro Aberto \u00e9 algo que pode ser introduzido gradualmente, esta \u00e9 uma alternativa importante.<\/p>\n<p>Servi\u00e7os \u201cpassivos\u201d de r\u00e1dio, como radioastronomia e \u201cdownlinks\u201d de sat\u00e9lites representam um problema especial. As esta\u00e7\u00f5es terrestres n\u00e3o emitem sinais que podem ser detectados por r\u00e1dios cognitivos e estes t\u00eam que ser capazes de receber sinais muito fracos sem interfer\u00eancia. \u00c9 poss\u00edvel que as bandas para os servi\u00e7os passivos precisem de ser protegidas, tais como reservas naturais e, portanto, exclu\u00eddas do uso n\u00e3o autorizado. Para n\u00f3s, isso n\u00e3o seria um problema, mas outros defensores espectro aberto acreditam que todas as bandas de r\u00e1dio deve ser commons sem licen\u00e7a reguladas apenas por &#8220;regras m\u00ednimas necess\u00e1rias para permitir o sucesso do commons sem fio\u201d.<\/p>\n<p>Apesar dos problemas e riscos, algumas pessoas acreditam que a tecnologia wireless est\u00e1 evoluindo inevitavelmente em dire\u00e7\u00e3o a um futuro em que as formas tradicionais de regula\u00e7\u00e3o ser\u00e3o imposs\u00edveis. Bilh\u00f5es de etiquetas de identifica\u00e7\u00e3o por radiofrequ\u00eancias (sigla RFID) estar\u00e3o se espalhando por todo o mundo na pr\u00f3xima d\u00e9cada; e ser\u00e3o t\u00e3o dif\u00edceis de controlar como uma epidemia. Outro desafio \u00e9 o de &#8220;r\u00e1dio controlado por software&#8221;. Mais e mais fun\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio que eram executadas no hardware podem ser implementadas em software no futuro. Se este software \u00e9 open source, ou pode ser modificado ou substitu\u00eddo depois de ser adquirido, o processo de &#8220;modelo aprovado&#8221; vai cair.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que vai acontecer? Otimistas vislumbram um futuro p\u00f3s-regula\u00e7\u00e3o onde a competi\u00e7\u00e3o darwiniana no mercado vai produzir aparelhos \u201cfin\u00edssimos\u201d, imunes a interfer\u00eancias e capazes de encontrar automaticamente e explorar qualquer vest\u00edgio de espectro subutilizado quando necess\u00e1rio. Assim como os animais maiores s\u00e3o geralmente pl\u00e1cidos vegetarianos, os usu\u00e1rios de equipamentos poderosos de r\u00e1dio podem optar por n\u00e3o causar interfer\u00eancia, para o benef\u00edcio comum. Normas e protocolos amplamente aceitos para automatizar a coopera\u00e7\u00e3o e a \u201cpolidez\u201d parecem essenciais para o sucesso neste campo. Se se pudesse criar um sistema que, espontaneamente, se auto-organizasse e impusesse rapidamente multas por interfer\u00eancia, estar\u00edamos tamb\u00e9m todos mais seguros no futuro.<\/p>\n<p>Nossos objetivos s\u00e3o mais modestos. Queremos eliminar o atual papel do governo em conceder licen\u00e7as a indiv\u00edduos e organiza\u00e7\u00f5es para o uso inofensivo do r\u00e1dio, particularmente em pa\u00edses em desenvolvimento. Para afirmar isso de forma positiva, destacam-se os benef\u00edcios da comunica\u00e7\u00e3o sem fio para o desenvolvimento social e econ\u00f4mico em \u00e1reas que podem ganhar mais com isso. Como diminui a necessidade de abordar o r\u00e1dio com especial rigor para combater as defici\u00eancias de tecnologia, a regulamenta\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio deveria se convergir rumo aos padr\u00f5es que se aplicam ao meio mais comum \u2013 que \u00e9 a capacidade dos seres humanos em falar. Pode demorar um pouco para chegar a esse ponto, mas o progresso ao longo do caminho ser\u00e1 marcado pelo crescimento econ\u00f4mico e melhoria da qualidade de vida.<\/p>\n<p>fonte: <a title=\"http:\/\/openspectrum.info\/\" href=\"http:\/\/openspectrum.info\/\">http:\/\/openspectrum.info\/<\/a><\/p>\n<p>*Nota da Tradu\u00e7\u00e3o: O termo Espectro Aberto se refere a uma libera\u00e7\u00e3o do uso das frequ\u00eancias sem licenciamento. O termo que alguns preferimos \u00e9 o Espectro Livre, referindo-se a uma faixa onde o uso seria previsto para emiss\u00f5es &#8220;livres do poder e livres do dinheiro&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>de http:\/\/radiolivre.org\/node\/3878 O que \u00e9 Espectro Aberto*? &#8220;Espectro Aberto&#8221; se baseia na ideia de que a tecnologia pode reduzir ou mesmo eliminar a necessidade de os governos micro-gerenciarem as comunica\u00e7\u00f5es sem fio. 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